Paz e Esperança para todos

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Ao iniciarmos mais um ano, dentro da oitava de Natal, celebramos a Solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria Santíssima. Este é um dia de expressão de fraternidade e paz. Maria é a Rainha da paz, pois trouxe em seu ventre o príncipe da paz. Toda a Igreja se associa ao canto de Maria na solene liturgia, bendizendo o Deus da vida que, por meio do “sim” de sua mãe, realizou suas maravilhas em toda a humanidade. Desde de 1968, quando São Paulo VI proclamou o dia primeiro de janeiro como Dia Mundial da Paz, a Igreja, através dos tempos, na voz do Santo Padre, estende o convite aos cristãos para que sejam construtores da paz, contra toda forma de violência; propondo relações mais humanas e fraternas marcadas pelo amor. A primeira benção do ano também é uma invocação da paz de Deus aos seus filhos e filhas.

Papa Francisco escolheu para a celebração do Dia Mundial da Paz, o seguinte tema: “Ninguém pode salvar-se sozinho, juntos, recomecemos a partir de Covid-19 para traçar sendas de paz”. Certamente, tendo experimentado diretamente a fragilidade da realidade humana e a nossa existência pessoal, podemos dizer que a maior lição que Covid-19 nos deixa em herança é a consciência de que todos precisamos uns dos outros, que o nosso maior tesouro, ainda é a fraternidade humana, fundada na filiação divina comum, e que ninguém pode salvar-se sozinho. Não podemos continuar a pensar em salvaguardar o espaço de nossos interesses pessoais e nacionais, mas devemos repensar-nos à luz do bem comum, com um sentido comunitário, como um “nós” aberto à fraternidade universal, afirma o Pontífice.

Num contexto de obstáculos e provações em que se encontra a humanidade na construção de uma civilização do amor e da paz, a mensagem do Santo Padre ecoa repleta de esperança, pois se há muitas formas de guerra no mundo, a mensagem cristã que nasce do Evangelho, sempre atinge o coração do homem, que é a raiz de toda transformação pessoal e social. A paz almejada só será possível através do diálogo e de uma ética global solidária. O caminho da paz sempre visa o desenvolvimento integral do homem, como sempre destacou São Paulo VI, e este não ocorre fora do diálogo, da educação e do trabalho. Portanto, eles devem estar sempre interligados. Dialogar é também caminhar juntos, ouvir o outro e cultivar sementes de uma paz duradoura, isto é, que perpasse as gerações; pois cada geração tem algo a ensinar e aprender.

A pergunta fundamental que devemos nos colocar é: como construir um caminho de paz? Muitas vezes somos tentados a pensar a paz no seu aspecto puramente objetivo, fora de nós mesmos. Mas um olhar autêntico e corajoso nos leva a refletir sobre o desejo de paz como algo inscrito no coração do homem; esta é a marca do criador em cada um de nós. Daí parte o convite universal do Santo Padre ao traçar um caminho complexo, mas possível, para a paz. Para atingirmos tal objetivo precisamos apelar à consciência moral, aliada a uma vontade pessoal e política. Tal fato supõe a busca da verdade que ultrapasse ideologias e divisões, que observa o respeito ao direito de cada um como medida para atingirmos o bem comum, baseado na justiça para todos; como deve ser toda sociedade que se diz democrática. A democracia deve garantir a tolerância e o respeito recíproco entre as pessoas e a adesão às decisões da maioria. O futuro e progresso de uma sociedade dependem de uma sã democracia (João Paulo II, Evangelium Vitae, 70).

Por fim, o cristão não pode se eximir da busca de uma ordem justa e do serviço ao bem comum, através de valores autenticamente evangélicos. Este é um caminho que requer paciência e confiança, pois sabemos que não existe uma paz acabada e duradoura. Ela é uma construção permanente. Como sempre cantamos ao raiar de um novo ano: “este ano quero paz no meu coração...”. Eis uma motivação que gera em nós atitudes e palavras, que faz de cada um verdadeiro artesão da justiça e da paz.

Feliz ano novo, repleto de saúde e paz para todos.

Frutuosas bênçãos.

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