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Agronegócio x Reforma Agrária PDF Imprimir E-mail
Escrito por CPT-MG   
Seg, 01 de Junho de 2009 15:25
          Em Campo do Meio, Sul de Minas, os trabalhadores do MST enfrentam o latifúndio, a truculência da polícia e da política. A notícia a seguir mostra o descaso das autoridades para com a Reforma Agrária no Brasil e o desprezo pela política que prioriza a produção de alimentos saudáveis para a população. No Acampamento Vitória da Conquista, do MST, nas terras da ex-Usina Ariadnópolis, 32 famílias Sem Terra resistem há 12 anos. O Assentamento 1º do Sul, na ex-Fazenda Jatobá, em Campo do Meio, é exemplo de como a Reforma agrária é viável e necessária. Lá 40 famílias de Sem Terra, hoje, além do direito de acesso à terra e à dignidade, produzem 1600 sacas de café por ano, 1200 litros de leite por dia, dão proteção às matas e nascentes de água e geram mais 180 empregos diretos.A sede da ex-Usina Ariadnópolis, com elevador panorâmico esbanja o luxo, mas a terra no entorno mostra o descumprimento da função social da propriedade.A Usina Ariadnópolis faliu em 1983.Com mais de seis mil hectares de terras ociosas, deve mais de 300 milhões de reais de dívidas fiscais e trabalhistas.           Hoje os “testas de ferro” exploram a massa falida por meio do arrendamento das terras. Impedem a realização da Reforma Agrária no imóvel e disseminam ameaças freqüentes às centenas de trabalhadores que ocuparam o latifúndio.          No dia 18/05/2009, a justiça de Minas, com o apoio da Polícia Militar, após vários dias de pressão e ameaças aos Sem Terra, despejou 123 famílias de 05 Acampamentos. Foram despejados 4 Acampamentos do MST: Sidney dias, Irmã Dorothy, Tiradentes e Rosa Luxemburgo. E 1 da FETAEMG.          Segundo uma Nota da PM a tropa compreendia 210 policiais militares, fortemente armados com revólveres, metralhadoras, helicópteros etc.Em Campo do Meio está em curso uma disputa por território. De uma lado, latifundiários do café, fazenda do atual prefeito, “testas-de-ferro” da ex-Usina, grandes plantações de sorgo e tomate. Do outro lado, Sem Terra do MST lutando por reforma agrária, por agricultura familiar agroecológica. Parecia mesmo um campo de batalha contra os trabalhadores: helicóptero, cachorros, cavalaria, três UTIs móveis, caminhão do corpo de bombeiro, ônibus de policiais, atirador de elite e dezenas de policiais de operações especiais da Tropa de Choque.Muitas crianças entregaram flores para os policiais e mostraram cartazes pedindo paz e apenas um pedacinho de terra. As crianças acabaram chorando muito juntamente com suas mães e avós, quando foram enxotadas de seus barracos e ao se verem cercadas por tamanho aparato bélico.          No frio do Sul de Minas, apreensivos, os Sem Terra pensam se devem ou não enfrentar um aparato de guerra da Polícia Militar de Minas Gerais.Para evitar outro massacre como o de Felizburgo, 123 famílias de Sem Terra desistem de enfrentar a truculência da PM. Saem escoltados pelo helicóptero da PM com policiais apontando metralhadoras para eles... A justiça não determinou o local que deveria recebê-los, mesmo estando os trabalhadores há mais de 11 anos na posse da terra.A mando do cel. Guimarães, tratores com arados e patrolas da prefeitura de Campo do Meio destruíram as lavouras dos Sem Terra de quatro acampamentos. As máquinas foram operadas por funcionários dos “testas de ferro” da ex-Usina.A irracionalidade da medida pode ser confirmada na destruição de lavouras de arroz, feijão, mandioca, milho, laranja, abacate e hortaliças. Estima-se que seriam colhidas 1.600 sacas de feijão (laudo da EMATER) 4 toneladas de melancia, 4 mil pés de Mandioca e uma grande plantação de milho, todos já no ciclo de colheitas. A truculência não ficou restrita às plantações. Passaram o trator com arado em cima de chiqueiro, triturando porcos vivos - inclusive uma porca prenha - mataram cachorros a tiros e abandonaram outros animais soltos na imensa área. As cercas de arames foram também destruídas pelos tratores da Prefeitura de Campo do Meio. A destruição não poupou sequer as árvores nativas replantadas pelos trabalhadores no latifúndio.A bananeira, ainda com cacho, jaz sobre a terra arrasada.Derrubaram todos os barracos, muitos cobertos com telhas e feitos à base de cimento e tijolos sem deixar qualquer possibilidade de utilização. O chapéu e o fogão de barro testemunham a covardia dos podres poderes...Sr. Sebastião, despejado do Acampamento Sidney Dias, 65 anos, desabafa chorando. Dizia ele, entre lágrimas: “Nós não somos burros, idiotas. Somos inteligentes. Somos honestos. Eis aqui minhas mãos calejadas. Queremos viver trabalhando, mas com dignidade, não como escravos. Por isso jamais arredaremos o pé da luta pela reforma agrária.”          “Peço a todos os companheiros e companheiras: Não desistam. Vamos continuar a luta até conseguirmos desapropriar este latifúndio da ex-Usina Ariadnópolis. Por esse ideal doaremos nossa vida”, conclamava Sr. João.“É um desaforo o que fizeram conosco. A gente só quer trabalhar e viver em paz. Será que não tem lei que proíbe arrancar com o trator árvores de lei que a gente tinha plantado? Dizem que nós não podemos cortar nenhuma árvore. É proibido. Por que eles podem?” Questiona dona Juvelina, de 72 anos. Tentaram calar a voz dos profetas. Os escombros gritam por justiça!          Encontramos gatinhos sob os escombros do que restou dos 5 Acampamentos. Magrelos, miavam, mas não aceitaram nossas mãos que lhes eram estranhas. Passarinhos que eram alimentados pelas famílias sobrevoavam os acampamentos devastados. O barraco que acolhia 23 jovens e adultos do curso de alfabetização, em convênio com o PRONERA – Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária - também não foi poupado. Ali funcionava também a Ciranda Infantil.          O Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (de 1966), ratificado pelo Brasil, impõe aos governos a obrigação de "utilizar todos os meios apropriados para promover e defender o direito à moradia e proteger contra despejos forçados". Onde está o respeito a este Pacto que é direito fundamental?Sr. João, falando em nome dos despejados, ponderou: “É através da produção de alimentos que a roda da engrenagem da sociedade gira. Não é através de carros e etanol. Precisamos matar a fome do povo com alimentos e não a fome dos carros que pede etanol. Por isso, jamais desistiremos da luta pela reforma agrária.”As futuras gerações têm direito a uma sociedade sustentável. Deixar para as próximas gerações terra arrasada é um crime hediondo.A vida continua esperando pela justiça em Ariadnópolis.Podem matar uma,duas ou três rosas,mais jamais deterão a primavera da reforma agrária. Centenas de acampados do MST estavam debaixo da lona preta há mais de 11 anos nos acampamentos do grande latifúndio da ex-Usina Ariadnópolis, que não cumpre função social. Pela 6ª vez foram despejados, mas não desistirão da luta, enquanto não ver raiar no horizonte a verdadeira reforma agrária. Acusam os três poderes – Executivo (presidente Lula), Legislativo e Judiciário - por não  realizarem Reforma Agrária e por colocarem as famílias Sem Terra na iminência de mais um massacre em Minas Gerais. Todas as pessoas de boa vontade, que primam pela justiça, exigem que o Presidente Lula assine sem mais tardar o Decreto de Desapropriação por interesse social da Fazenda Ariadnópolis, em Campo do Meio, Minas Gerais, nos termos da Lei 4132/62 (Processo número 54170005006/0644). Somente com a desapropriação das terras da ex-Usina a paz, como fruto de justiça, se estabelecerá na região.Exigimos do Governo de Minas Gerais, Aécio Neves, a indenização das lavouras destruídas sob a proteção da Polícia Militar. Exigimos do Ministério Público de Minas Gerais a punição do Cel. Guimarães e de todos os excessos cometidos pelos policiais, que agiram com truculência e covardia contra os indefesos Sem Terra.Exigimos principalmente a apuração dos crimes praticados pelo prefeito de Campo do Meio, Vilson Rodrigues Pereira, PSDB, que usou o poder municipal contra o interesse dos munícipes, inclusive impedindo as crianças de ir à Escola para ceder os ônibus escolares para a desocupação da área.

COMISSÃO PASTORAL DA TERRA – Minas Gerais
CNPJ: 02.375.913/0012-70 - Rua Cassiterita, nº 59 - Bairro Santa InêsCEP: 31080-150 Belo Horizonte/MG – Tel.: (31) 3466-0202 // (31) 3481-5420www.cptmg.org.br“JUNTOS COM OS POVOS DA TERRA E DAS ÁGUAS NA DEFESA DA VIDA”.www.mstcampodomeio.blogspot.com
Última atualização em Qua, 10 de Junho de 2009 13:33