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Seminário Diocesano Nossa Senhora das Dores, Árvore Centenária PDF Imprimir E-mail
Escrito por Marcos Valério Albinati Silva   
Sáb, 06 de Fevereiro de 2010 19:06

07 de fevereiro de 1910 – 07 de fevereiro de 2010

           “Casa de mãe tem cheiros conhecidos, cores conhecidas, ruídos conhecidos incorporando lembranças...” A fala mineira é do Pe. Manuel Ribeiro da Costa, definitiva e prodigamente nosso poeta.

          Penso em sua poesia, quando desejo falar sobre o Seminário Diocesano Nossa Senhora das Dores, da Campanha. Sem dúvida, é a “Casa da Mãe”, que, no dia sete de fevereiro de 2010, celebra seus cem anos de fundação.

          Casa da Mãe. Estranha-se, talvez, o epíteto “das Dores”. Ele se mostra, entretanto, providencial. Sempre de pé, “Stabat Mater”, Nossa Senhora é a herança que Cristo crucificado nos oferece, é fonte onde bebemos as delícias de nos tornarmos “crianças”, é luz que amadurece em nós as virtudes do homem, é jardim em que floresce o amor, é “vida, doçura, esperança nossa”. Salve, pois!

          Lembro-me dos cheiros daquela Casa: a capela recendia a perfumes de madrugada pascal; a biblioteca tinha o antigo odor dos incensos, como citou Saint-Exupéry; os pátios trescalavam cheiros coloridos de orquídeas, de esporinhas, de goivos; o refeitório fartava-se com o gostoso aroma dos condimentos, do alecrim e da salsinha verde. Os pratos simples faziam-se substanciais e escondiam carinhos e cuidados das “Irmãzinhas” que os preparavam.

          Lembro-me das cores daquela Casa: o cinza das paredes externas, o branco das internas, o barrado ocre do pórtico, cuja coluna central trazia, lá no alto, onde os encanamentos do lavatório se entrecruzavam, a cascata de uma espontânea samambaia; os tons litúrgicos da cortina adamascada do altar de Nossa Senhora; o colorido dos vitrais à entrada da capela e ao centro da escadaria que levava ao silêncio do andar superior; os curiosos cenários compostos para as peças teatrais dos dias de festa...

          Lembro-me dos ruídos daquela Casa: os produzidos pelos passos misteriosos do “Fradinho”, os da tampa das carteiras no Estudo Geral; os que vinham do barracão de jogos ou dos campos de futebol. E mais que os ruídos, as vozes: a do Sr. Bispo, com tonalidades de compassivo Pastor; a do Reitor, paternalmente firme, respeitosa e formadora; a do Pe. Ecônomo, silenciosamente em obras; as dos professores, calmas e seguras; as das Irmãs de Sion, cantigas de mães; as dos colegas, motivo de alegria; a do sino, sempre um chamado...

          Um século de trabalho para Deus! Mudaram-se os cheiros, as cores e as vozes. O Seminário Nossa Senhora das Dores, entretanto, pulsa forte. A Sementeira continua viçosa, formando Padres e Homens.

           Nós que o amamos, abençoamo-lo com as bem-aventuranças ensinadas por nosso Reitor: “que as mesmas bênçãos façam crescer o grão de mostarda, fortaleçam o carvalho poderoso, para que as tempestades não arranquem jamais desta Casa nem a força miraculosa do Sinai, nem apaguem a luz esplendente do Tabor.”

Última atualização em Sáb, 06 de Fevereiro de 2010 19:13