Login (Entrar)
 
    
Forgot Password? Username?   |   Register
Registre-se

Foranias

Pastoral

Forças Vivas

Formação

Vida Consagrada

Diversos

Quem está Online!

Nós temos 16 visitantes online

Enquete

Quando você acessa o portal da Diocese?
 

Contador de Visitas

counter

Você está em: Página Inicial Ano Sacerdotal Duas entrevistas sobre o celibato sacerdotal
Duas entrevistas sobre o celibato sacerdotal PDF Imprimir E-mail
Escrito por ZENIT   
Qua, 10 de Março de 2010 17:37

          Na última sexta-feira terminou, na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, de Roma, o congresso “O celibato sacerdotal: teologia e vida”, organizado pela faculdade de teologia da instituição e patrocinado pela Congregação para o Clero, a propósito do Ano Sacerdotal.

          Uma das conferências mais aplaudidas pelos participantes, compostos em sua maioria por diáconos e sacerdotes, foi a denominada “A realização da pessoa no celibato sacerdotal”, do professor espanhol Aquilino Polaino-Lorente.

          Polaino é médico pela Universidade de Granada. Posteriormente, estudou Psicologia clínica na Complutense de Madri. É doutor em Medicina pela Universidade de Sevilha. Também se formou em Filosofia na Universidade de Navara. Ampliou seus estudos em diversas instituições de educação superior europeias e americanas. De 1978 a 2004, foi catedrático de Psicopatologia na Universidade Complutense e atualmente é docente da mesma disciplina na Universidade San Pablo, na capital espanhola.

          Escreveu numerosos artigos e livros, especialmente sobre os problemas psicológicos infantis e juvenis, assim como familiares. É membro de academias de Medicina de várias cidades espanholas, colaborador de diversos organismos e, pelo seu trabalho e sua bagagem intelectual, já recebeu várias distinções.

          Entrevistado pela agência de notícias ZENIT, o professor Polaino, que em sua conferência explicou como uma correta visão da sexualidade, na qual devem integrar-se o amor, a abertura à vida e o prazer, levou a entender também o sentido do celibato sacerdotal, ao qual são chamadas algumas pessoas para estarem mais disponíveis para o apostolado e para viver o amor universal.

           “Deus não pede coisas impossíveis a quem chama para o seu serviço”, disse em sua intervenção, referindo-se ao tema central do congresso.

 ZENIT: O celibato sacerdotal é psicologicamente perigoso?

Aquilino Polaino: Não é nada perigoso, porque talvez entenda muito bem como é a estrutura antropológica realista da condição humana. Tem suas dificuldades, como é lógico, já que a natureza humana está um pouco deteriorada e é preciso integrar todas as dimensões. Eu acho mais perigoso o comportamento sexual aberto, não normativo, no qual vale tudo; acho que isso tem consequências mais desestruturadoras da personalidade do que o celibato bem vivido em sua plenitude, sem rupturas ou fragmentações.

 

ZENIT: Que meios o sacerdote deve utilizar para ser fiel ao voto do celibato durante todos os dias da sua vida?

Aquilino Polaino: A tradição da Igreja oferece muitíssimos conselhos que podem ser aplicados e que são eficazes: por exemplo, a guarda do coração e da vista. O que os olhos não veem o coração não sente. Tampouco se trata de andar olhando para o chão, mas é possível ver sem enxergar. Isso garante a limpeza do coração e, além disso, a vivência do primeiro mandamento, que é amar a Deus sobre todas as coisas. Em uma panela de pressão não entram mosquitos. Um coração satisfeito não anda com mesquinhez nem com fragmentações.

 

ZENIT: Você acha que a cultura hedonista deste novo século, tão difundida na mídia, influencia no fato de que alguns sacerdotes não sejam fiéis ao voto do celibato?

Aquilino Polaino: É possível, porque a fragilidade da condição humana também é vivida pelos sacerdotes. Penso que é preciso prestar mais atenção ao imenso número de sacerdotes fiéis à sua vocação. A exceção também se dá na vida sacerdotal, mas é exceção. Ainda que no jornalismo seja muito correto focar a exceção, não podemos ser cegos aos muitíssimos sacerdotes que são leais, que vivem sua vocação plenamente, que são felizes e aos quais o mundo deve sua felicidade. Isso é que precisa ser enfatizado.

 

ZENIT: Uma reta visão da sexualidade pode proporcionar uma reta visão da vida celibatária?

Aquilino Polaino: Sim. Penso que a sexualidade hoje é uma função muito confusa, é uma faculdade sobre a qual há mais erros que pontos de acordo sobre o que é a natureza humana e talvez seja um programa para ensinar em todas as idades, porque, como é um dos eixos fundamentais da vida humana, se não for bem atendido, se as pessoas não estiverem bem formadas, o que viverão é a confusão reinante. Isso afeta tanto seminaristas como pessoas jovens, noivos. Esta educação hoje é uma educação para a vida. É uma matéria que às vezes se ensina mal, porque são ensinados os erros e isso é confundir ainda mais, ao invés de explicar esta matéria com rigor científico que tenha fundamento na natureza humana.

 

ZENIT: O que significa o sacerdote ser chamado a ser pai espiritual?

Aquilino Polaino: Penso que este é um dos temas pouco aprofundados. A paternidade espiritual também deve ser vivida pelos pais biológicos e muitos deles jamais ouviram falar disso. A paternidade espiritual é, de certa forma, viver todas as obras de misericórdia: consolar o triste, redimir o cativo, ser hospitaleiro, afirmar o outro no que vale, evitar-lhe problemas, estimulá-lo e motivá-lo para que cresça pessoalmente, incentivar o aparecimento de valores que ele já tem, porque vieram com sua natureza, mas talvez não tenha sabido encontrá-los nem fazê-los crescer. Penso que este mundo está órfão dessa paternidade e dessa maternidade espiritual; e acho que é uma dimensão que o sacerdote, quase sem perceber o que faz, já vive.

 

ZENIT: A vida celibatária pode tornar esta paternidade espiritual mais fecunda?

Aquilino Polaino: Necessariamente sim, porque há mais tempo e disponibilidade. Se o objetivo final é a união com Deus, a paternidade espiritual adquire mais sentido, porque é a melhor imagem da paternidade divina no mundo contemporâneo; portanto, está como mediador e, na medida em que viver a filiação divina, também viverá muito bem a paternidade espiritual.

 

          No mesmo evento, diferentes sacerdotes, leigos e acadêmicos falaram sobre a natureza do celibato, sua origem e sentido, assim como sobre as exceções que a Igreja permitiu, especialmente em alguns ritos orientais e nos sacerdotes ex-anglicanos que contraíram matrimônio e que desejam entrar em plena comunhão com a fé católica.

          O Pe. Pablo Gafael, em sua conferência, “O celibato sacerdotal nas igrejas orientais”, reconheceu que, no tema das exceções que a Igreja permite, é preciso entrar “na ponta dos pés”, enquanto o Pe. Stefan Heid mostrou, em sua conferência, como a Igreja, ao longo da história, foi discernindo e assimilando a importância de que os sacerdotes vivam a continência perfeita pelo Reino de Deus.

          Para esclarecer este tema, ZENIT entrevistou o Pe. Laurent Touze, professor da Pontifícia Universidade da Santa Cruz de Roma, que participou desde congresso com a conferência “O celibato está vinculado ao sacramento da Ordem? Para uma teologia espiritual do celibato”.

 

ZENIT: O celibato é um dogma de fé ou uma disciplina?

Laurent Touze: Nem um nem outro. Não é um dogma de fé, porque atualmente se vê na Igreja que existem sacerdotes casados, como, por exemplo, alguns da Igreja Católica oriental. Nem todos, mas alguns admitem sacerdotes casados ou, como se recordou recentemente no motu proprio do Santo Padre, Anglicanorum coetibus, publicado em 4 de novembro de 2009: entre os ex-anglicanos que querem voltar à comunhão com a Igreja Católica, serão admitidos sacerdotes casados.

 

ZENIT: Com esta medida, você acha que o celibato poderia um dia chegar a ser voluntário também para os sacerdotes do rito latino?

Laurent Touze: Não, porque a Igreja está entendendo cada vez mais a relação entre o sacerdócio, o episcopado e o celibato. É algo que poderia se assemelhar à revelação de um dogma, ainda que não o seja neste momento e se tende sempre mais a entender que se deve promover entre todos os sacerdotes, e também entre os sacerdotes católicos orientais, uma prática que seja verdadeiramente similar à que se vivia nos primeiros séculos.

 

ZENIT: Mas, se nos primeiros séculos havia tantos sacerdotes casados, entre eles os apóstolos...

Laurent Touze: Estudos demonstraram de forma convincente que este fato deve ser interrogado: não se vivia a continência de todos os clérigos, mas desde o momento da inclusão da ordem sacerdotal, estes homens deveriam viver a continência com a permissão da própria esposa, porque isso era um compromisso do casal.

 

ZENIT: Então por que são feitas exceções?

Laurent Touze: Historicamente, porque houve uma manipulação de textos e penso que uma má tradução que a Igreja oriental, que se separou de Roma e reconheceu que havia declarado contrariamente à tradição, poderia ser aceita. Neste sentido, há verdadeiramente algumas exceções. A Igreja descobriu que tinha a possibilidade de admitir exceções, mas que deveriam ser entendidas dessa forma. Respeitavelmente, como sublinhou o Concílio Vaticano II, nas igrejas católicas orientais há sacerdotes casados santíssimos que contribuíram muito para a história da Igreja e da fé em épocas de perseguição, mas são verdadeiramente exceções.

 

ZENIT: Mas, com os bispos, não são feitas estas exceções. O celibato episcopal tem algum significado especial?

Laurent Touze: É muito diferente, tanto teológica como historicamente. Mais ainda, o Concílio Vaticano II, com a constituição Lumen Gentium, definiu que o episcopado é a plenitude do sacramento da ordem. É necessário descobrir a especificidade do episcopado e, por conseguinte, o celibato episcopal. E pode ser demonstrado com o fato de que, no celibato ou continência do bispo, jamais foi feita uma exceção. Isso é algo estudado pela Igreja, sobre o qual o pontificado romano teve de refletir mais recentemente na história contemporânea depois da Revolução Francesa, porque alguns bispos, ou melhor, ex-bispos, pediam para se casar. Isso foi estudado e se disse que era impossível, que isso não deveria ser feito nunca, que estava em jogo o assunto dogmático ou, ainda mais recentemente, com a ordenação de homens casados e bispos esposados que se efetuaram na ex-Tchecoslováquia por imposição ou com a pressão do partido comunista ao poder. Também aí, a Igreja havia afirmado que o bispo sempre deve ser celibatário.
Última atualização em Qui, 11 de Março de 2010 18:06